sexta-feira, 17 de junho de 2011

o último dandy


O dandy, o ser preso às convenções da moda, valorizando-a sobremaneira, que transita entre o mundo elegante dos salões burgueses e as casas de tolerância, opiários, onde as classes baixas iriam se refestelar no fim do dia como afirma o estudioso Pedro Paulo Catharina:
Os dandys são figuras de exclusão que se encontram paradoxalmente à margem e dentro de uma aristocracia ou alta burguesia e exigem seu direito à futilidade e ao artifício. Eles se postam contra a massa e a massificação da sociedade industrial e burguesa. São figuras que jamais fariam uma revolução coletiva, mas servem de contraponto ao coletivo e teatralizam a decadência das sociedades e o direito à individualidade e à diferença.
O dandy, neste contexto, para Baudelaire, deveria: "procurar ser ininterruptamente sublime. Nem mesmo quando dorme deve viver como se estivesse diante de um espelho". Ele representa o extremo da superficialidade, pois apenas a beleza e o ato de ser impecável diante da sociedade seriam suas marcas e sua "função".
Derivado do termo inglês "dandy", trata-se de um fenómeno cujos contornos sócio-políticos se começam a delinear na viragem do séc. XVIII para o séc. XIX. Com efeito, é no período da Regência inglesa (1800-1830), que a afectação no trajo masculino se torna sinônimo de uma postura ideológica pró-aristocrática e da concomitante rejeição dos códigos de conduta e dos valores burgueses. Enquanto que estes enfatizam a igualdade, a responsabilidade e a perseverança, o dandy opõe-lhes um sentimento de superioridade elitista, cultivando a irresponsabilidade no decurso de um dia-a-dia votado ao ócio.
Brummel é a primeira figura a encarnar uma tal postura, nos finais do séc. XVIII. A importância que dá ao vestuário como forma emblemática de realçar a diferença é apenas comparável ao papel desempenhado pela agudeza de espírito (Wit) na sua linguagem.
Oscar Wilde, um dos que com mais perfeição desempenhou o papel de dandy e também do esteticismo (tendência criada por ele  e posteriormente abandonada pelo mesmo) demonstrando seu caráter paradoxo e com humor corrosivo, desfilava seus espalhafatosos vestuários para que toda a 'feiura' da revolução industrial fosse insultada.
Depois de Oscar Wilde tiveram outros aspirantes ao mestre da convenção estética, mas como este não houve e ouso dizer que não haverá.


Brummel



Oscar Wilde


Oscar Wilde



The New York Times Style Magazine



terça-feira, 14 de junho de 2011

Diferenças

Sei que esse vídeo já tem um tempo, mas resolvi comentar sobre ele agora, pois o assunto é constante. A operadora VIVO de telefonia fez uma homenagem aos 25 anos do casal Eduardo e Mônica, da música de mesmo nome da Legião Urbana. Achei legal, não só pela música ter ganho pessoas de verdade, mas pela idéia de que não escolhemos o sentimento, muito menos pra quem dar ele. No meio de tantas diferenças, tantas contradições e tantos conflitos, duas pessoas se apaixonam, se amam, tem uma vida juntos da maneira mais normal de todas. Isso é o que damos o nome de amor. O sentimento que nasce sem avisar, que cresce sem pedir e que se perpetua sem limite. 



E se esse sentimento fosse generalizado? E se eu amasse meu próximo qualquer, sem olhar as diferenças? Talvez a vida fosse melhor. Fica a dica então: tente não amar apenas aquela pessoa que te completa todo dia, tente fazer com que as grandes diferenças tornem-se pequenos detalhes...

sábado, 4 de junho de 2011

música estranha pra gente esquisita

Sigur Rós é uma banda islandesa de post-rock - mistura de rock alternativo, elementos de jazz e rock progressivo - e sinônimo de som para ouvidos refinados. O nome da banda significa 'rosa da vitória' e foi inspirado no nome da irmã do integrante Jónsin que nasceu no mesmo dia em que a banda foi fundada. Suas músicas hipnóticas chegando a ultrapassar 6 minutos de duração é caracterizada por elementos minimalistas. As letras são cantadas em islandês e no álbum ( ) foram escritas em “Hopelandic” (“esperancês”), um idioma que é parte inglês, parte islandês e parte fruto da imaginação do vocalista Jón. 



Por vezes, Jón utiliza um arco de violoncelo para tocar sua guitarra. Georg faz o mesmo com seu baixo. Kjartan toma conta do teclado estabelecendo uma cortina de fundo essencial ao evoluir da música. Um quarteto de cordas acrescentam suas vozes e transformam o que era belo em angelical. Os agudos do vocalista Jón soam vez ou outra como erupções de emoções incontroláveis, anteriormente sufocadas pela tranquilidade da melodia. A bateria de Orri soa leve, ao fundo, só um chamado à realidade mais forte que o clima produzido pelo conjunto esconde.
Nas suas apresentações ao vivo, os Sigur Rós são capazes de transportar o espectador mais atento a um outro nível de realidade. As suas músicas exigem muito do ouvinte, mas quem se entrega não se arrepende.
Ou seja, seu sons são feitos para serem sentidos e não somente para serem ouvidos.
Em um trecho da biografia da banda concedida pelo site da MTV americana diz a banda : “Nós não somos uma banda, nós somos música. Nós não temos a intenção de sermos superstars ou milionários, nós simplesmente vamos mudar a música para sempre, e o que as pessoas entendem por música. E não pensem que não somos capazes de fazer isso, nós vamos fazer isso.”
Com suas guitarras, arcos de violoncelo, intimismo, neologismos e muita distinção estes músicos, com toda a certeza mudaram toda a minha concepção do que é música.





Dom...


O que mais me agrada hoje, é o que mais me chateia. No mundo em que vivo não há mais espaço pra coisas simples. Não posso mais ser feliz simplesmente por respirar, pois já to sendo saudosista demais (velhaguardista). Não posso pedir um abraço pra alguém que gosto, estou sendo carente demais (bucólico?). Enfim, tenho que ser como vocês querem, senão to sempre errado.
Gosto de coisas normais, TODAS as coisas normais, e também gosto de coisas novas, da moda, do mês. Mas não me encaixo em nenhum estilo. Eu sou todos os estilos. Ser normal, ser simples, é tarefa difícil, complicada. Difícil por ter que respeitar tudo que os outros são, representam ou transmitem. Complicada por ter cada vez menos pessoas iguais a mim, pra eu ver que ainda vale a pena. E vale.




Não há nada melhor que chegar ao trabalho, ir pra aula, chegar em casa, e agradecer por mais um dia ter feito tudo isso, ter cansado, ter sofrido, ter dado sorrisos, ter acordado. Anthony Kiedis (Red Hot Chili Peppers) diz que ‘essa vida é pra lá de normal’, acertou lindamente. A vida e tão normal, tão simples, vocês complicam ela.



sexta-feira, 3 de junho de 2011

a arte de ser blasé

Há pessoas que pensam que ser blasé é só desprezar tudo o que as pessoas gostam, mas ser blasé está muito além do olhar tedioso à Twiggy. É antes de tudo não se importar com quem te acha legal (pobres criaturas se acharem o contrário). Não somente levantar as sobrancelhas para os pobres mortais, mas fazê-lo com toda a elegância e altivez que Mr. Darcy demonstrou para Mr. Colins.
Estas qualidades devem estar acrescidas de classe demonstrada pelo blasénte (neologismo meu) a exemplo cito Amanda Priestly(Rainha do Blasé). Ou seja, uma bolsa Louis Vuitton ou um sapato Louboutin pode acrescentar muito a performance...e claro, o blasé sempre se diverte à grande com a cara de paisagem demonstrada pelos alheios, mas obviamente, por dentro porque ele não exterioriza emoção alguma a não ser a de eterno sentimento de tédio. Bette Davis que o diga...


Twiggy


Amanda Priestly


Mr. Darcy



Bette Davis

A Indiferença