O dandy, o ser preso às convenções da moda, valorizando-a sobremaneira, que transita entre o mundo elegante dos salões burgueses e as casas de tolerância, opiários, onde as classes baixas iriam se refestelar no fim do dia como afirma o estudioso Pedro Paulo Catharina:
Os dandys são figuras de exclusão que se encontram paradoxalmente à margem e dentro de uma aristocracia ou alta burguesia e exigem seu direito à futilidade e ao artifício. Eles se postam contra a massa e a massificação da sociedade industrial e burguesa. São figuras que jamais fariam uma revolução coletiva, mas servem de contraponto ao coletivo e teatralizam a decadência das sociedades e o direito à individualidade e à diferença.
O dandy, neste contexto, para Baudelaire, deveria: "procurar ser ininterruptamente sublime. Nem mesmo quando dorme deve viver como se estivesse diante de um espelho". Ele representa o extremo da superficialidade, pois apenas a beleza e o ato de ser impecável diante da sociedade seriam suas marcas e sua "função".
Derivado do termo inglês "dandy", trata-se de um fenómeno cujos contornos sócio-políticos se começam a delinear na viragem do séc. XVIII para o séc. XIX. Com efeito, é no período da Regência inglesa (1800-1830), que a afectação no trajo masculino se torna sinônimo de uma postura ideológica pró-aristocrática e da concomitante rejeição dos códigos de conduta e dos valores burgueses. Enquanto que estes enfatizam a igualdade, a responsabilidade e a perseverança, o dandy opõe-lhes um sentimento de superioridade elitista, cultivando a irresponsabilidade no decurso de um dia-a-dia votado ao ócio.
Brummel é a primeira figura a encarnar uma tal postura, nos finais do séc. XVIII. A importância que dá ao vestuário como forma emblemática de realçar a diferença é apenas comparável ao papel desempenhado pela agudeza de espírito (Wit) na sua linguagem.
Oscar Wilde, um dos que com mais perfeição desempenhou o papel de dandy e também do esteticismo (tendência criada por ele e posteriormente abandonada pelo mesmo) demonstrando seu caráter paradoxo e com humor corrosivo, desfilava seus espalhafatosos vestuários para que toda a 'feiura' da revolução industrial fosse insultada.
Depois de Oscar Wilde tiveram outros aspirantes ao mestre da convenção estética, mas como este não houve e ouso dizer que não haverá.
Oscar Wilde, um dos que com mais perfeição desempenhou o papel de dandy e também do esteticismo (tendência criada por ele e posteriormente abandonada pelo mesmo) demonstrando seu caráter paradoxo e com humor corrosivo, desfilava seus espalhafatosos vestuários para que toda a 'feiura' da revolução industrial fosse insultada.
Depois de Oscar Wilde tiveram outros aspirantes ao mestre da convenção estética, mas como este não houve e ouso dizer que não haverá.
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| Brummel |
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| Oscar Wilde |
| Oscar Wilde |
| The New York Times Style Magazine |







